Retalhos

Sente as espadas atravessarem-lhe o peito
Facas desfazendo cada pedaço de si
Antevê a morte e como súplica grita
Leva as mãos à cabeça ferozmente na tentativa de tirar aqueles bichinhos de aflição que a consomem até ao núcleo
Enraivecida esperneia e debate-se, entre facas e sanguessugas tenta escapar
Se repele imunda daquelas criaturas
Ausentou-se dela toda a candura que um dia lhe foi atribuída
Agora resta a poeira de um ser perdido
Uma alma rasgada, um fragmento do que fora
Um Alguém
De Sonhos



4 comentários:

  1. Tristemente emocionante. Indubitavelmente, fico contente por poder vê-la escrever novamente!

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    1. Muito obrigada!
      Às vezes é preciso expulsar algumas coisas que só são notáveis internamente.
      Fico feliz de conseguir escrever novamente, uma pena que somente o desespero me traz isso. Agradeço mais uma vez.

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  2. ahhh! Que lindo ler esse texto. Uma escrita incrivel que me faz sentir vontade de escrever novamente.
    boa semana
    aspoesiasdananda.blogspot.com.br

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  3. Fico muito feliz em ler isso, de verdade! Muito obrigada. <3
    Uma boa semana à você também.

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