Laço e embaraço

Café coando, conseguia ouvir o barulho da sola do teu sapato, enquanto você arrumava as coisas. Eu ouvia você indo para o teu novo rumo. Aquele que eu não pude dar. Eu olho para as cortinas, e janelas... Lembro-me de como isto nos foi útil. Pois, eu sou a cortina e você a janela. Eu cubro aquilo que traz incômodo, eu aconchego, liberto do mal estar. Você é o que há de nu, e cru, que eu protejo. O delírio, o descabido e o acaso. E eu, o compromisso. Eu prezo pelo cuidado, e pelo fracasso. Sim, você deixou as frestas abertas. Não fechou a persiana, e nem se deu conta disso. Quando viu, a luz já tomava conta do ambiente, e me tirava de você. Eu estou sem ter o que cobrir. E você, sem proteção. Mas você buscou por isto. Me perdoe pela falta de tecido para te fazer ficar coberto, é que usei todos para enxugar minhas lágrimas; isto quando eu chorava baixinho enquanto você saía pela porta. Posso cobrir a porta? Eternamente, claro! Pois ela ficará aberta a vida toda, esperando você voltar. E eu, bem... Eu não posso deixar que a luz entre aqui novamente e me leve também.
 

2 comentários:

  1. belo texto ^^ continue sempre escrevendo, vc tem um bom talento pra isso..

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  2. Me sinto lisonjeada com tal comentário! :)
    Obrigada mesmo!

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