Mancha sobre tecido cru

Nas manhãs de um sábado qualquer, eu costumava ser o teu refúgio da ressaca do dia anterior ao choro regado à soluços do agora. Nada é igual ao que era antigamente, são coisas que não saciam. Nas tardes de um domingo como qualquer outro eu vinha até você, vinha ao embalo de uma música feliz estancar o teu desamor. Nas profundezas de uma madrugada de uma segunda-feira, eu te ligava no mesmo horário há anos. Pra perguntar como a tua pulsação estava, não tínhamos medo de rodar, de voar em pleno sereno... Hoje, sendo terça-feira vejo você sobre a pele de um outro alguém. Ela suspirando por teu jeito de fumar, aquele jeito promíscuo, você me prometeu uma noite... Agora estou passando pela tua porta, eu sinto o amargo do que fui pra ti! Vejo que sou só uma mancha, apenas uma pequena sujeira. Em meio à tanta sufocação... Sufocação e agonia por um futuro que eu nem tenho mais certeza.

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